Na Festa da Natividade de Nossa Senhora, dia 8 de setembro, Pe. Manoel Godoy, diretor executivo do ISTA (Instituto Santo Tomás de Aquino) de Belo Horizonte, MG, apresentou o tema: “PROJETOS E MÉTODOS PARA UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Memória, seguimento e perspectivas”.
Teceu considerações sobre a Missão a partir da Encíclica Redemptoris Missio n. 33. A Missão como anúncio de Jesus Cristo aos que ainda não o conhecem. Missão vista para atingir os cristãos afastados. Missão vista como Nova Evangelização e não de uma re-evangelização como desejava o Papa João Paulo II ao caracterizá-la no “Ardor, na Expressão e no Método”. Hoje, apesar de todos os esforços feitos, notamos que serviu de moldura para o projeto de restauração tocado pelo pontificado do Papa João Paulo II, sobretudo a partir do Sínodo dos Bispos de 1985. Se olharmos para os projetos de evangelização da Igreja persistem elementos da “implanctio ecclesia” um projetar-se de si mesma diante do mundo. Porém o sonho da Nova Evangelização ainda continua, está em construção, e suas raízes estão no evangelho, sobretudo na vida dos cristãos, tendo presente os 16 documentos do Vaticano II, sobretudo no decreto Ad Gentes.
Muito embora, hoje, a Igreja Católica quer se fazer ouvir a qualquer custo, vive o dilema de um tempo onde sua palavra ainda não consegue unificar o caminhar dos cristãos que ela se propõe. Em virtude disso, há uma nova onda clerical em que se prioriza a estética, a imagem, o show e a aparência em detrimento da ação evangelizadora. Porém, um dos grandes saltos qualitativos da

Igreja depois do Concilio Vaticano II em 1974 foi o documento pós-conciliar, Evangelli Nunciandi “Evangelização para todos os Povos” que teve melhor recepção pelo conjunto do povo de Deus.
Sobre a Gênese da Pastoral no BrasilNo final do século XIX acontece a separação entre Igreja e Estado, a República marca profundamente o nosso ser Igreja no Brasil, e o episcopado começa a ver o Brasil de uma maneira nova para articular de ponta a ponta o nosso país nas suas pastorais. Tivemos pessoas ilustres na época com sua linguagem nos processos evangeliza dores, como o de D. Macedo Costa – bispo de Belém do Pará – que olhava todo o nosso país e já sonha com uma pastoral de conjunto – uma ação conjunta da Igreja – na qual expunha à cúria romana a necessidade de um concílio plenário brasileiro.
Não obtendo êxito impulsionou a criação de novas dioceses.Temos dois momentos importantes na vida da Igreja, orientado pelo Cardeal Leme: em 31 de maio de 1930 a visita de Nossa Senhora Aparecida ao Rio de Janeiro co

m a presença de 1.000.000 de pessoas. No dia 12 de Outubro de 1931 a inauguração da estátua do Cristo Redentor, que mesmo sendo um dia de chuva, reuniu um bom número de pessoas. O Governo Vargas tremeu de medo ao ver a influência que o Cardeal Leme exercia sobre o povo brasileiro. Com a sua influência junto à Constituinte, ele conseguiu a isenção de impostos, o ensino religioso e a filantropia. Grande foi nesta época a influência do Cardeal Leme na convocação dos congressos eucarísticos, e aproveitar destes eventos, para reunir os Bispos para pensar num método novo de evangelizar.
Sem pensar muito estava nascendo uma nova visão sobre o episcopado brasileiro. Sem se darem conta, surgia naturalmente o método ver, julgar e agir que mais tarde deu grande impulso à evangelização no Brasil. Surgiram assim algumas pistas para a ação católica em âmbito nacional. Notavam constantemente que a fragilidade doutrinal era uma constante, justamente com a escassez de clero. Estes dois elementos conjugados se constituem o binômio de preocupação desde a década de 30, inclusive o documento do Celam.
Os resultados se fizeram ver rapidamente: a Ação Católica surge em 1935 e dez anos mais tarde, tem seu papel fundamental na evangelização até os dias d

e hoje. Em 1950 sob a influência do método belga surgem novos movimentos: JAC, JEC, JOC, JUC e que deu um impulso novo na ação católica no Brasil. Além de aprimorar no método não mantemos que os grupos da ação católica tinham uma coisa chamada “revisão de vida” – os seus membros se imbuíam de uma espiritualidade e mística de atuação na sociedade que era muito fantástico. Cada grupo tinha o seu assistente espiritual e realizaram muitas iniciativas, graças à Aliança entre o Papa, D. Helder e o Núncio Apostólico.Em 1939 realizou-se por D. Leme o I Con

cílio Brasileiro tão sonhado por D. Macedo. Neste evento foi lançado uma carta pastoral sobre a atuação dos Leigos na sociedade brasileira. Nela constam nomes famosos como os de Jackson Figueiredo, Alceu Amoroso Lima, Gustavo Corção, que escreveu o Romance “Lições de Abismo”.
Em 1946 surge a primeira universidade católica e em 1952 surgem a CNBB e também o Movimento do Mundo Melhor com o Pe. Lombardi tendo o aval do Papa Pio XII “Hoje é tempo de heroísmo, tempo de doação”. Em 1954 os Religiosos fundam a Conferência dos Religiosos do Brasil, em 1960 surge o Movimento de Educação de Base. Com estes acontecimentos foi uma das melhores épocas da Igreja do Brasil, seja pelos movimentos e obras nascentes, tanto quanto pelas vozes que se ouviam dos melhores teólogos. Assim se antevia uma Igreja que tinha o que apresentar mais tarde no Concílio Vaticano II.
Plano de Emergência
Corria o ano de 1962 no Rio Grande do Norte houve uma grande seca. Como resposta para socorrer aos necessitados surgiu a Coleta Missão da Fraternidade na cidade de Nízia Floreta. Com esta iniciativa nascia o embrião da Campanha da Fraternidade que se estendeu para todo o Brasil. No dia 25 de setembro de 1962 nascia o primeiro plano de pastoral do Brasil, chamado “Plano de Emergência” (1962-1965).
Enquanto isso, lá do outro lado do mar, a voz do então querido Papa João XXIII, se fazia ouvir sinalizando quatro perigos para a doutrina dos cristãos no continente: o Naturalismo, o Protestantismo, o Espiritismo e o Marxismo. Junto a estas considerações do Papa o episcopado nacional agrega a essas preocupações: o individualismo no apostolado, a falta de clero para evangelizar e, sobretudo, como seriam os convênios entre Governo e Igreja.O Plano de Emergência teve 4 objetivos como metas centrais:
a) A renovação paroquial e buscar princípios básicos e requisitos para a renovação paroquial; b) Recuperação do ministério sacerdotal e faz-se para isto uma pesquisa para saber o quanto há de pessimistas, conformistas, angustiados, dispersivamente apostólicos e os profundamente apostólicos, apaixonados pelo Reino. E se olharmos estas mesmas pesquisas indicarão outros perfis do ministério sacerdotal: light, hi-tech, os cibernéticos; c) Renovação do Educandário Católico; d) Introdução a uma Pastoral de conjunto onde é analisada a descoberta da ruptura entre Igreja e o mundo, o divorcio entre a fé professada e a descoberta da vida interior na pastoral de conjunto (revisão de vida).
Em meio a estes eventos surge o Vaticano II em 1963 e o Plano de Emergência fica para mais tarde, não havendo um clima favorável para o bom desempenho deste plano. Porém, em decorrência do Vaticano II surgem crises e iniciativas novas, entre elas, novos olhares sobre a realidade pastoral. O Concílio Vaticano II publicou 16 Documentos, dos quais 6 se tornaram os que mais tiveram expressão na realidade brasileira. Destacamos os Documentos: Dei Verbum, Lumen Gentium, Ad Gentes, Sacrosanctum Concilium, Gaudium et Spes, Unitatis Redintegratio. Todas elas criaram meios e linhas para a Igreja do Brasil se poder organizar pastoralmente.
PLANO PASTORAL DE CONJUNTO (1966-1970).
A Igreja do Brasil procurou trabalhar todos estes seis Documentos do Vaticano II, e a partir deles, surgiram muitas iniciativas pastorais em todo o país. Forneceu não somente uma estrutura para CNBB trabalhar melhor, mas a Igreja teve que aprender a dialogar com todas as

tendências do mundo e também dialogar com todas as forças da sociedade.A partir das Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora tem procurado trabalhar as exigências: o Serviço, o Diálogo, o Anúncio e o Testemunho de Comunhão na perspectiva da pessoa, da comunidade e da sociedade. Atualmente existem 10 comissões episcopais.
Para concretizar os projetos de evangelização a Igreja contou com a ajuda de vários documentos, e entre eles, o Tértio Milenium Adveniente, a Boa Nova já Chegou e o Novo Milenium Ineuntim e o último o Projeto Queremos Ver Jesus.
Hoje com o Documento de Aparecida, a missão continental acontece com pequenas iniciativas ou então não irá muito longe. É da base que virão as pequenas ações para dar impulso a uma dimensão latinoamericana.
Pe. Mário De Carli, IMC
Maria Salete, Comidi, Diocese de Santos – SP.
Fotos e postagem: Pe. José Altevir da Silva, CSSp